Teste permite diagnóstico precoce e mais preciso de pré-eclâmpsia.

Estudo utilizou PCR digital para analisar DNA livre de células e identificar mulheres grávidas em situação de risco.
Pré-eclâmpsia é uma síndrome associada à hipertensão e proteinúria e pode se manifestar após a 20ª semana de gestação. A Sociedade Americana de Obstetrícia e Ginecologia recomenda que o tratamento comece antes das seis semanas de gravidez quando há suspeita de situação de risco.
Segundo pesquisadores da Universidade de Hong Kong (HKU), atualmente, a única forma de avaliar o risco é por meio de indicadores como idade e histórico médico. Tentativas de descobrir marcadores como assinaturas de RNA ou proteômica não forneceram resultados confiáveis.
A equipe da HKU desenvolveu um teste que apresenta precisão suficiente para detectar precocemente pré-eclâmpsia em grávidas. A técnica utiliza o teste PCR digital para identificar fragmentos longos de DNA livre de células (cfDNA), o que permite diferenciar mulheres que desenvolvem a síndrome daquelas que têm gravidez normal.
“O estudo se baseou em pesquisas anteriores nossas, que indicaram que diferentes tamanhos de fragmentos de DNA podem ser um sinal de pré-eclâmpsia incipiente”, explica a PhD e coautora Stephanie Yu.
O cfDNA pode ser encontrado no plasma de mulheres grávidas e pacientes com câncer. Desde que foi descoberta sua presença no plasma materno, em 1997, várias pesquisas verificaram que seus níveis ficam alterados nos casos de gestações pré-eclâmpticas.
Com base no estudo anterior da HKU, os pesquisadores da universidade suspeitaram que padrões únicos de fragmentação de DNA, anteriormente associados a anomalias fetais e câncer, também poderiam ser encontrados em gestações afetadas pela pré-eclâmpsia. Para confirmar essa hipótese, aplicaram a técnica de sequenciamento SMRT (single-molecule real-time), que confirmou o que esperavam ao mostrar uma redução na percentagem de cfDNA em gestações com a síndrome.
Teste mais simples
“Em seguida, utilizamos a técnica PCR digital de gotículas (ddPCR), mais simples e com melhora relação custo-benefício”, conta Yu. Ela diz que nessa fase do estudo analisaram amostras de plasma de dez gestações pré-eclâmpticas e 16 normais.
Foram realizados dois ensaios iniciais de ddPCR visando o gene VCP, em tamanhos de fragmentos com mais de 533 e 1001 pares de bases de DNA- os principais tamanhos analisados nos estudos anteriores da equipe. Com os dados de sequenciamento obtidos naquela ocasião, os pesquisadores conseguiram determinar os parâmetros ideais e a melhor capacidade de diferenciação entre gestações controle e pré-eclâmpticas.
A partir desses resultados, desenvolveram um terceiro ensaio destinado à sequência LINE-1 (elemento nuclear intercalado longo 1), uma série de 1,6 mil regiões repetidas em todo o genoma, visando fragmentos com mais de 170 pares de bases.
Segundo Stephanie Yu, os resultados apontaram que tanto os ensaios iniciais quanto o LINE-1 podiam diferenciar as amostras pré-eclâmpticas das saudáveis. Porém, o LINE-1 mostrou ser mais preciso que os VCP 533 e 1001.
“Os próximos passos incluem estudos de validação com amostras maiores e para determinar até que ponto na gravidez esse teste pode ser eficaz. Também planejamos investigar fatores que possam influenciar na porcentagem de fragmentos longos de cfDNA no plasma de gestantes”, acrescenta Yu.
60 mil mortes no mundo
Segundo o Protocolo 2023 de Pré-eclâmpsia do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e Adolescente Fernandes Figueira (IFF) da Fiocruz, a síndrome afeta de 1,5% a 16,7% das gestações em todo o mundo e provoca 60 mil mortes de mães e mais de 500 mil nascimentos prematuros a cada ano.
Essas taxas podem variar entre populações devido às diferenças geográficas, sociais, econômicas e raciais. Mesmo assim, a pré-eclâmpsia é considerada a segunda maior causa de morte materna no mundo. Em países de baixa renda chega a 16%, enquanto na América Latina ultrapassa 25%. Segundo o documento do IFF, é a principal causa de morte materna no Brasil.
Mesmo após o parto em situações de pré-eclâmpsia, mãe e filho podem continuar a apresentar risco alto de doenças cardiovasculares e metabólicas ao longo da vida.

Fonte: http://www.labnetwork.com.br/

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