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Por Claudia Lima

Para ampliar e enriquecer o nosso tema sobre a condução diagnóstica da febre amarela no Brasil, entramos em contato com o Dr. Arnaldo Jorge Martins Filho, pesquisador da Seção de Patologia do IEC – Instituto Evandro Chagas, renomado centro de pesquisa clínica do país, para dividir conosco como caminham os projetos de pesquisa, metodologias e contribuições diagnósticas.

Como estão sendo conduzidas as pesquisas, no momento?

O Instituto Evandro Chagas, que é um órgão vinculado à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS), tem papel fundamental em vigilância e diagnóstico. Neste contexto, no âmbito da Febre Amarela, as pesquisas estão muito voltadas para a identificação de agentes causadores de surtos (por exemplo, o surgimento de novos genótipos do agente), desenvolvimento e melhora de métodos de diagnóstico, bem como estudos sobre a fisiopatogênese da doença.

Qual o objetivo principal?

Neste contexto, o objetivo principal é melhorar o fluxo do diagnóstico a fim de atender à demanda do MS e dos estados que nos solicitam exames. Nosso maior desafio neste momento de surto é atender à demanda e emitir os laudos com qualidade e agilidade. Por conta disso, uma equipe de profissionais do CDC (Centers for Disease Control and Prevention) de Atlanta, Estados Unidos, esteve no IEC para ministrar um treinamento sobre diagnóstico de arboviroses por imunohistoquímica e histopatologia, ao longo de duas semanas. Este treinamento, no qual estiveram presentes também profissionais de outros centros que servirão como multiplicadores do método, teve como objetivo ampliar e melhorar a rede de laboratórios de referência do MS para diagnóstico de arboviroses.

A Seção de Patologia do Instituto Evandro Chagas faz análise de amostras de vísceras tanto de primatas quanto de humanos, por métodos de Histopatologia e Imunohistoquímica. A necropsia não é feita aqui, e sim na origem do óbito. Para nós, chegam apenas fragmentos de vísceras (geralmente fígado, rins, coração, pulmão, cérebro e baço). As amostras são provenientes de quase todos os estados do Brasil, sendo que a maior demanda no momento é dos estados de MG e ES. Como fazemos diagnóstico de Zika e Dengue também, recebemos amostras de todo Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte de Sudeste e Sul.

O diagnóstico tem a finalidade de determinar dados estatísticos epidemiológicos?

O diagnóstico é enviado aos LACEN* de cada estado solicitante, bem como ao Ministério da Saúde. Certamente é utilizado para fazer o levantamento estatístico dos surtos. Como nós só realizamos análises post mortem, os demais casos não são diagnosticados aqui. Vale ressaltar que para estas arboviroses, há um percentual de casos (que varia em cada agravo) assintomáticos, subclínicos e de autorresolução; se o paciente não procurar atendimento, certamente o caso não será diagnosticado. Para a estatística, são contabilizados tanto os casos suspeitos quanto os casos de diagnóstico concluído, seja post mortem ou in vivo.

*LACEN- Laboratório Central ( laboratórios dos SUS, de responsabilidade das Secretarias Estaduais de Saúde)

Qual a metodologia utilizada que possibilita resultado em 8 horas?

Para o exame histopatológico usamos principalmente a coloração por Hematoxilina e Eosina (HE). Na imunohistoquímica, temos atualmente duas metodologias, SAAP (Método da Estreptavidina Fosfatase Alcalina) e Método do polímero (que aumenta a sensibilidade e reduz o tempo do teste).


Agradecemos ao Dr. Arnaldo Jorge Martins Filho, que prontamente nos atendeu com seus esclarecimentos.

Sucesso a todo o time de pesquisadores do IEC!

Fonte: newslab